5 passos para engajar sua equipe em home office
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  • Gilberto de Souza

5 passos para engajar sua equipe em home office




Em tempos que muitos migraram para o home office de urgência devido ao CODIV-19, como fazer a gestão e manter a motivação dos colaboradores?

De modo prático, os passos para gerir e manter a equipe engajada neste estilo de trabalho são os mesmos de outrora. Mas, neste contexto de quarentena, em que a pessoa, muitas vezes, está em casa com toda a família ao mesmo tempo, a forma de lidarmos com esses passos mudou radicalmente.


Inicialmente, gostaria de lembrar que não estamos falando de um home office comum, em que as pessoas se organizam em termos de ambiente e horário para realizar determinadas atividades sob a sua responsabilidade.


Este momento é de uma adaptação ao conceito de home office, em que a pessoa que está em casa pode estar lidando com várias situações paralelas relacionadas à gestão de toda a família no mesmo ambiente físico, e portanto, em condições emocionais distintas.


Logo, a pessoa pode achar difícil encontrar um local tranquilo, com as mínimas condições de trabalho necessárias para sentar e produzir o que se espera dela.


No mundo normal, quem trabalha em home office tem uma organização que lhe permite ter os momentos em que pode se dedicar plenamente às suas atividades profissionais. Em uma situação comum, posso marcar uma reunião para um momento que sei que estarei sozinho em casa, ou que haverá alguém cuidando de outras coisas, como almoço, limpeza e filhos. Este não é exatamente o momento em que vivemos.


E por que considerar isso é importante?


Ao nos lembrarmos disso, percebemos que precisaremos de mais flexibilidade, ou seja, por exemplo, negociar os prazos de entrega e o nível de qualidade da entrega, o que, antes deste contexto, talvez não se fizesse tão necessário.


A questão, agora, é que precisamos ler o contexto de cada pessoa da equipe e conversar com ela sobre as suas condições de trabalho neste momento. Ignorar esse contexto pode gerar desgastes emocionais desnecessários e colocar em risco a relação entre líderes e liderados.


Dito isso, vamos aos cinco aspectos que necessitam ser cuidados para que a produtividade e o engajamento das pessoas continue o mais elevado possível.


1) Conversar com a pessoa que realizará as atividades para que ela conte como está vendo o contexto. Relembrar a importância de cada um de nós continuarmos contribuindo para que a organização funcione da melhor forma dentro do possível.


O objetivo é ajudar a pessoa a perceber o quanto cada um de nós, que fazemos parte de uma organização que ainda nos permite estarmos trabalhando, tem um papel crucial para contribuir com a manutenção da vida da organização.


2) Conversar com a pessoa e co-construir com ela o entendimento do que a organização necessita que seja feito, não o que ela pode ou quer fazer.


Aqui, é fundamental acordarmos o que será feito, como será feito e quando será feito. É preciso que as atividades estejam em um cronograma, com agenda bem estabelecida, estruturado em cima da prioridade estratégica para a organização, além de ter, sempre que possível, os indicadores de qualidade negociados para cada entrega.


3) Conversar sobre o “porquê”, ou seja, por qual razão esta atividade necessita ser feita, e a importância de ela ser realizada com a máxima excelência possível (fazer o melhor possível com os recursos disponíveis, até que se tenha melhores recursos para se fazer melhor ainda).


Lembre-se: O objetivo é ajudar a pessoa a perceber a relevância das suas atividades para o todo, dando uma perspectiva de propósito e de missão importante. É aqui que mais podemos contribuir com a sensação de motivação e de engajamento.


4) Verificar o quanto a pessoa se sente capaz de realizar o que está sendo solicitado, e se ela possui os recursos mínimos necessários para realizar estas atividades.


O objetivo, neste ponto, é identificar se há algum impedimento. Se houver, buscar soluções para minimizá-los ou exterminá-los. Se a missão está clara, a pessoa compreendeu a sua importância e os impedimentos foram minimizados, aumentamos as chances de sucesso da missão.


5) Combinar a forma de acompanhamento da realização das atividades; se será diária, semanal, quinzenal, em que momento do dia e por qual meio de comunicação.


O objetivo deste acompanhamento é de sincronizar as entregas de todos da equipe para que possamos manter um ritmo de produtividade mínimo que permita a organização continuar viva, com a máxima saúde possível. Somente assim conseguiremos voltar ao normal o quanto antes.


Considerações finais:


Para muitos, este contexto está trazendo desafios nunca vividos, o que, naturalmente, gera insegurança. Por isso, manter um ritmo de conversa com o time é fundamental, ouvindo-os, ajudando-os a olharem para a situação da forma mais racional possível, convidando-os a agirem como protagonistas neste contexto, a buscarem soluções, e lembrando-os que estamos todos aprendendo com a situação.


Este é um momento peculiar, que nos convida a acolhermos a nossa vulnerabilidade em relação aos acontecimentos que estão por vir e nos convida a assumirmos uma perspectiva protagonista, de estarmos prontos para encarar seja lá o que surgir em nossa frente.


Neste momento, me veio à mente a cena do filme Gladiador, em que o protagonista, que havia se tornado um escravo gladiador, estava junto com outros escravos, no centro do Coliseu, à espera do desconhecido que sairia dos portões. Então, assumindo a liderança, diz: "Seja lá o que sair por aqueles portões, temos mais chance de sobreviver se permanecermos juntos. Entendem? Se ficarmos juntos, sobreviveremos."


Que você encontre as condições para assumir a liderança, e, juntamente com outras pessoas, construa as soluções que a sua organização precisa para que continue cumprindo o seu propósito de servir à humanidade.


* Gilberto de Souza é sócio-fundador da Nortus e educador. Há mais de 20 anos atua na preparação de líderes. Ministrou palestras e cursos em eventos para mais de 200.000 pessoas e é co-autor do livro Organizações auto-organizadoras (2016), escrito em parceria com o médico neurocirurgião Francisco Di Biase. É Instrutor na FGC - Formação em Gestão Contemporânea da Nortus.




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