O sucesso de seu futuro profissional depende das soft skills



No início da nossa carreira, as competências técnicas têm um peso muito grande em nossa empregabilidade. São consideradas hard skills todas as competências concretas, quantificáveis e de aprendizado técnico que são desenvolvidas através de ensino formal ou não.

Dados do IBGE, em pesquisa dedicada a verificar os impactos econômicos da COVID-19, verificou que cerca de 10% da população brasileira ocupada estava em home office em julho de 2020. Destes, quase 73% haviam concluído curso superior ou tinham pós graduação. Ou seja, as hard skills ajudaram a blindar o desemprego durante a pandemia.

No entanto, quanto mais crescemos em nossa carreira, maior a importância do desenvolvimento de competências comportamentais, também conhecidas por soft skills. São competências relacionadas a nossa forma de se relacionar conosco e com os outros.


Este é um fato já conhecido. Tanto é que existe um dizer muito popular: somos contratados pelas nossas habilidades técnicas e demitidos pelas nossas inabilidades comportamentais.

Para ser relevante profissionalmente, o desenvolvimento de competências comportamentais será cada vez mais imprescindível.

Destaco dois motivos para este fato:


1. Quando crescemos na carreira, nossos resultados passam a depender de outras pessoas

No início da carreira, você consegue se destacar se fizer um bom trabalho.

Ao ganhar maiores responsabilidades, a qualidade de suas entregas passa a depender de vários fatores:


  • Capacidade de mobilizar a sua equipe;

  • Capacidade de influenciar pares e superiores;

  • Capacidade de se comunicar com assertividade;

  • Capacidade de liderar em qualquer contexto;

  • Capacidade de colaborar.

Ou seja, as habilidades interpessoais ganham maior destaque, pois impactam diretamente nos resultados que conseguimos alcançar.


2. Cada vez mais dividiremos espaços de trabalho junto com as máquinas

Todo trabalho que pode ser padronizado e parametrizado pode ser programado, e, portanto, realizado por máquinas.

Antes, esta substituição ocorria em operações braçais. Por exemplo, a automatização de uma fábrica com braços robóticos. Hoje, os algoritmos são capazes de realizar operações intelectuais envolvendo raciocínio. Por exemplo, a Netflix faz recomendações de filmes e seriados para seus clientes.

O algoritmo não é nada mais do que a conexão de uma sequência de acontecimentos previsíveis que chegam a uma conclusão. Se tenho a informação de que o meu cliente assiste filmes de ação, é possível prever que ele gostará de receber recomendações deste gênero de filme.

A evolução da inteligência artificial faz com que as máquinas sejam melhores do que humanos quando se trata de trabalhar com dados previsíveis por uma questão estrutural: têm a capacidade de rastrear e processar mais dados do que o cérebro humano.

Com isso, o futuro do trabalho humano será em atividades não-lineares, não programáveis, ou seja, atividades difíceis de serem algoritmizadas.

Um estudo da consultoria Delloite, na Austrália, prevê que dois terços dos empregos no país em 2030 serão em ocupações intensivas em soft skills, ou seja, que envolvam:

  • Criatividade;

  • Pensamento complexo;

  • Flexibilidade cognitiva.

Já no mundo empresarial, um estudo do Google com os dados de seus colaboradores descobriu que as características de uma carreira de sucesso são habilidades interpessoais:

  • Ser um bom coach;

  • Comunicar e ouvir bem;

  • Ter insights com os outros (incluindo outros valores e pontos de vista);

  • Ter empatia;

  • Dar suporte aos colegas;

  • Ser um bom pensador crítico e resolvedor de problemas;

  • Ser capaz de fazer conexões entre ideias complexas.

Está muito clara a importância do desenvolvimento das soft skills para nossas carreiras. No próximo artigo, falarei um pouco sobre como identificar quais habilidades comportamentais lhe faltam, e como é possível desenvolvê-las.


*Luciana Sutti é sócia-executiva da Nortus e educadora referência em desenvolvimento de competências comportamentais. Atua no NeuroTrainingLab como observadora sênior. É coach executiva e de carreira pelo ICI, com formação internacional reconhecida pelo ICF. Estuda e pratica mindfulness desde 2004.




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